Nomear alguém ou alguma coisa com um título correspondente ao de um objecto com determinada característica, com o fim de o escarnecer, reduzir, insultar ou satirizar, deve ser uma actividade linguística tão velha quanto a própria linguagem racional. De facto, quantas vezes não associamos um muito engraçado animal quadrúpede de grandes orelhas com pouco mais de 1m50 (claro está não se tratar do Dumbo) àquele tipo que empata a fila para a bilheteira, por perguntar se o regional Aveiro/Coimbra pára em Santarém?! Todavia, aqui entramos apenas na linha do insulto de carácter metafórico: uma característica negativa de determinada entidade transforma a mesma na representante simbólica dessa característica. Simples, fácil e rápido - aquela pessoa é um autêntico calhau, logo não pensa, logo é estúpida.
Trata-se de uma prática que facilita a comunicação e enriquece até o discurso ao criar todo e qualquer simbolismo associável a uma determinada realidade. Faça-se poesia do insulto.
Contudo, reconheça-se que há limites. Não há grande sentido em chamar “discman” ou “pisa-papéis” a alguém (a não ser que tenha acontecido como ao Capitão Gancho, um qualquer animal de boca abundante em dentes lhe tenha levado a mão e provocado a necessidade de a substituir por um desses objectos. O discman até dá jeito, agora o pisa-papéis roça o inútil). No entanto, existem nomeações que fogem desta linha prática, útil e compreensível. Tome-se como flagrante exemplo a atribuição de um nome próprio a alguém registado em cartório com outro. Imagine-se: “oh meu grandíssimo Toni”, “olha-me este Romeu”, “és uma Maria que andas por aí”. Sem dúvida que há um associação ao parolo do nome em questão (Toni), ao carácter imputado pelo contexto cultural ao nome (Romeu), ao universo especifico em que o dito nome se insere (Maria – universo feminino). Contudo, cria-se espaço para alargamentos e exageros. Não só pelo universo muito particular em que pode estar inserido esse nome, mas até pelo lado negativo que obtém, sem que exista uma associação possível a uma qualquer realidade. Se não, repare-se: alguém chamaria um filho (isto se tivesse a certeza da legitimidade do mesmo) de Asdrúbal Anacleto Manuel Porco da Silva? E porque razão? O que é que torna Asdrúbal e Anacleto dois nomes tão horríveis cuja união num único título possa privar o tal titular de uma vida normal? - Sim porque dificilmente alguém com este nome poderia entrar numa sociedade humana sem esconder a identidade e poucas dúvidas haverá, que algumas raças animais também o rejeitariam:
Golfinho 1(bicho simpático): iiiiihhh iiihh iih i ieih iehiih (tradução- epah, aí vem o Asdrúbal, c’um caneco.)
Golfinho 2: iiih ihg hoiiii eiih iiiiiihhhhhh iihhhoih iiih ii hihihihi ijiii eiiih iih ihyh (tradução: vamos antes para outro sitio. Se isto continua assim teremos de mudar de habitat. É melhor começar ainda hoje a enviar o curriculum para zoológicos… excluí-se Algarve que os caraças dos camones têm rendas muito altas. O que virá a seguir, Fagundes Maria José António dos Santos?)
Asdrúbal e Anacleto, reflectindo com a história e a etimologia, até se fazem carregar de um certo sentido nobre. Qual a razão do preconceito? Algum totó cujo nome tenha sido Asdrúbal e tenha contraído uma união de facto com um totó bem pior de nome Anacleto, pelo que o fruto, naturalmente impossível, seria o supra-sumo dos totós e responderia ao nome: Asdrúbal Anacleto? Pouco provável. Nenhum totó homossexual se celebriza tanto que possa colocar a definição de si num nome por várias gerações (poderão surgir à ideia vários casos possíveis e bem célebres, mas lembre-se, esses são parvos, não são totós). A conclusão parece ser única e básica. Tal sucede, porque estes nomes se apresentam como estranhos à cultura popular, e a fusão entre duas coisas estranhas só pode ter como resultado uma aberração. Tome-se como exemplo Arnaldo Maria. O primeiro tem uma sonoridade pouco musical. Já o segundo, bastante comum na matriz cultural em questão, remete para o género feminino contrastante com o primeiro, logo, é algo estanho, um vez tratar-se de um nome não enquadrável num título masculino. Isto tudo para dizer: parem com a porcaria de nomeação de Maria João, pois não faz sentido nenhum! Há sempre aqueles que preferem tratar as pessoas pelo segundo nome e é difícil combater o preconceito de que uma rapariga, que seja constantemente tratada por João, não venha a ter um farfalhudo bigode. Muitos e conhecidos são os casos em que o bigode não proliferou, mas acredite-se, a vida sexual poderá sair bastante comprometida ou pelo menos, constrangida.
O objectivo deste texto era chegar à análise do nome do Vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Coito Pita. Contudo, houve necessidade de fazer um desvio de tal abordagem, pela dificuldade que esse estudo acarretaria.
quinta-feira, 25 de Junho de 2009
quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Não se atiram pedras quando os nossos telhados são de vidro. Esta é uma frase mal embrulhada de um qualquer ditado popular cuja formulação requer trabalho de pesquisa, coisa que não estou disposto a fazer. Este ditado, como muito outros, não é uma prova de como a sabedoria do povo é credível, antes denuncia a vileza da sabedoria popular que pretende obter benefícios através da melhor convivência social, salvando-se assim de possíveis prejuízos.
Deste ditado, percebemos que só deve mal-dizer aquele que ou é um Santo (e esses não dizem mal, quanto muito dão conselhos com um sorriso nos lábios e um aperto de mão meloso, garantindo que estarão ali para passar a mão pela cabeça do tipo que decidir voltar a incorrer na barbárie); ou aquele que muito inteligentemente esconde os seus podres e tem o cuidado de não atacar os telhados de quem já partilhou o seu.
Todavia, podemos entender esta sabedoria como valorosa, por exactamente aconselhar um procedimento benévolo. Este ditado foi claramente inventado por uma mãe que não quis que a filha andasse por aí a chamar galdéria à vizinha, quando o celeiro lá do sítio era conjunto: 1º a vizinha iria querer interditar o celeiro à família da maldizente; 2º a maldizente não iria poder usar o mesmo, caso dele necessitasse; 3º se já tivesse usado o celeiro, logo a vizinha acusada de galdéria se defenderia, ao bom jeito popular, dizendo que também a acusadora se enroscava na palha (os vidros da moça); 4º a)o abastecimento de feno à Mimosa e à Malhada poderia sofrer com tal crise e estas obviamente seriam as menos culpadas do arranjinho em que a sua casa estava envolvida; 4ºb) o abastecimento de leite da rua lá do sitio teria que necessariamente baixar, dada a depressão dos animais, pelo que ambas as famílias seriam acusadas de desviar o leite para si mesmas.
Em resumo, a família sofreria drásticas consequências, pelo que era melhor calar a filha. Quanto a esta última, padecedora de um raquitismo intelectual, logo pensou que uma saraivada de pedras lhe cairia no telhado, partindo as telhas. Ora, todas as jovens filhas camponesas sabem o que acontecesse quando chove e há telhas partida: maratona do balde. Desta forma calou-se a moça e sossegou a Mimosa (a Malhada, pobrezinha, viria a morrer um mês mais tarde, devido ao desgosto causado pelo abandono do Boi Rafael).
Tenha-se como outro exemplo o ditado “Amigo não empata amigo”. Esta pequena frase, uma amostra da mesquinhez do povo, implica o ganho sobre o amigo. Como é possível que se entusiasme a malta a incorrer contra a instituição sagrada que é amizade? Porque não antes um ditado do género: amigo não empata amigo se as pretensões do mesmo forem as melhores e respeitarem a disposição do artigo 4º/ 320 do código da amizade, que diz: não lixes o teu amigo em nome da amizade e para proveito próprio. Não rima, é longo, deve muito à beleza sintáctica, mas pelo menos é justo. De contrário, cria-se espaço para que coisas destas aconteçam:
AMIGO1: aquela é uma rapariga bonita, acho que me vou acercar da disponibilidade.
AMIGO2: eu vi primeiro e “Amigo não empata Amigo”.
AMIGO1: epah, vou mesmo ser promovido, estou mesmo contente que me tenham escolhido.
AMIGO2: sabes, essa promoção fará com que ocupes a secretária vazia ao lado da minha e que fica imediatamente antes da máquina dos snaks. O chato é que, se não chego cedo à máquina, a malta da contabilidade leva o salame todo… e sabes, “amigo não empata amigo”.
Uma coisa é certa, não é nada aconselhável ter amigos que se regem por ditados populares. Além de que é bem possível que termos como “empata fodas” tenham bebido desse ditado. Nessa linha, imagine-se só os monstros discursivos que ditados como “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura” e “Diz o Sr. Carvalho que não troque caminho por atalho” podem vir a criar.
Deste ditado, percebemos que só deve mal-dizer aquele que ou é um Santo (e esses não dizem mal, quanto muito dão conselhos com um sorriso nos lábios e um aperto de mão meloso, garantindo que estarão ali para passar a mão pela cabeça do tipo que decidir voltar a incorrer na barbárie); ou aquele que muito inteligentemente esconde os seus podres e tem o cuidado de não atacar os telhados de quem já partilhou o seu.
Todavia, podemos entender esta sabedoria como valorosa, por exactamente aconselhar um procedimento benévolo. Este ditado foi claramente inventado por uma mãe que não quis que a filha andasse por aí a chamar galdéria à vizinha, quando o celeiro lá do sítio era conjunto: 1º a vizinha iria querer interditar o celeiro à família da maldizente; 2º a maldizente não iria poder usar o mesmo, caso dele necessitasse; 3º se já tivesse usado o celeiro, logo a vizinha acusada de galdéria se defenderia, ao bom jeito popular, dizendo que também a acusadora se enroscava na palha (os vidros da moça); 4º a)o abastecimento de feno à Mimosa e à Malhada poderia sofrer com tal crise e estas obviamente seriam as menos culpadas do arranjinho em que a sua casa estava envolvida; 4ºb) o abastecimento de leite da rua lá do sitio teria que necessariamente baixar, dada a depressão dos animais, pelo que ambas as famílias seriam acusadas de desviar o leite para si mesmas.
Em resumo, a família sofreria drásticas consequências, pelo que era melhor calar a filha. Quanto a esta última, padecedora de um raquitismo intelectual, logo pensou que uma saraivada de pedras lhe cairia no telhado, partindo as telhas. Ora, todas as jovens filhas camponesas sabem o que acontecesse quando chove e há telhas partida: maratona do balde. Desta forma calou-se a moça e sossegou a Mimosa (a Malhada, pobrezinha, viria a morrer um mês mais tarde, devido ao desgosto causado pelo abandono do Boi Rafael).
Tenha-se como outro exemplo o ditado “Amigo não empata amigo”. Esta pequena frase, uma amostra da mesquinhez do povo, implica o ganho sobre o amigo. Como é possível que se entusiasme a malta a incorrer contra a instituição sagrada que é amizade? Porque não antes um ditado do género: amigo não empata amigo se as pretensões do mesmo forem as melhores e respeitarem a disposição do artigo 4º/ 320 do código da amizade, que diz: não lixes o teu amigo em nome da amizade e para proveito próprio. Não rima, é longo, deve muito à beleza sintáctica, mas pelo menos é justo. De contrário, cria-se espaço para que coisas destas aconteçam:
AMIGO1: aquela é uma rapariga bonita, acho que me vou acercar da disponibilidade.
AMIGO2: eu vi primeiro e “Amigo não empata Amigo”.
AMIGO1: epah, vou mesmo ser promovido, estou mesmo contente que me tenham escolhido.
AMIGO2: sabes, essa promoção fará com que ocupes a secretária vazia ao lado da minha e que fica imediatamente antes da máquina dos snaks. O chato é que, se não chego cedo à máquina, a malta da contabilidade leva o salame todo… e sabes, “amigo não empata amigo”.
Uma coisa é certa, não é nada aconselhável ter amigos que se regem por ditados populares. Além de que é bem possível que termos como “empata fodas” tenham bebido desse ditado. Nessa linha, imagine-se só os monstros discursivos que ditados como “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura” e “Diz o Sr. Carvalho que não troque caminho por atalho” podem vir a criar.
segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Ao primeiro dia
Hoje é um dia quase histórico, diria até tristemente Bíblico: Nasce Goma e Rocha, o blogue mais inesperado, desde há pouco, na blogosfera; aquele que nada de novo trará à comunidade, nem ao menos será mais do mesmo, nem algo que venha contribuir para a sua decandência. Enfim, uma inutilidade que muito poderá agradar a todos aqueles que simplesmente "não queiram saber".
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